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28 de janeiro de 2020

“Saúde Mental de Janeiro a Janeiro”: CRP-13 lança nota sobre o assunto

A história da Saúde Mental no Brasil e no mundo é uma narrativa de lutas e conquistas envolvendo muitos personagens e suas trajetórias, diante de mobilizações, discussões e rupturas. É também uma história de jogos de poder, “da emergência dos jogos de verdade”, da legitimação de discursos, que nos convocam o tempo todo a nos posicionarmos para construir narrativas junto a estessujeitos que são segregados e colocados à margem da sociedade.

Este aspecto difuso e complexo, nos traz a importância de sustentar um viés político e ético do exercício da psicologia e demais campos psi, especialmente num tempo em que todos os nossos mal-estares psíquicos têm sido associados a alguma disfunção do funcionamento cerebral, como se o sistema nervoso central fosse o único ou o principal responsável pela saúde mental do ser humano. Como consequência, essa dimensão individualizante dos sofrimentos, acarreta um aumento da medicalização, descolando os sujeitos de seus contextos sócio culturais.

Se opondo a esta leitura, consideramos que os estados de sofrimento são multifatoriais e constituídos a partir da relação das pessoas com seu entorno social. Logo, a característica central de nossa sociedade, marcada pelas desigualdades sociais, precisa ser demarcada através do compromisso da psicologia diante da sociedade e diante de temáticas, que atravessam as subjetividades e o tecidosocial. Precisamos estar atentos às diferentes manifestações de violência que acometem populações vulneráveis e povos tradicionais (povos indígenas, quilombolas, populações de rua, dentre outros), resgatando as diversas expressões e organizações sociais, que afetam diretamente as subjetividades humanas.

Portanto, reafirmamos o nosso compromisso com a Saúde Mental dos sujeitos, se organizando diante de demandas plurais a partir de diferentes mandatos: por vezes pelo alivio de algum sofrimento psíquico individual ou sociocultural, junto ao alargamento dos laços sociais, sempre nos situando na fronteira entre o singular e o que é produzido no social. Reforçamos o nosso compromisso na conexão com os horizontes teóricos, técnicos e éticos sempre atento aos riscos da submissão a alienação do que já está instituído. Entendemos que a Saúde Mental é feita cotidianamente, nas diversas redes de assistência, assumindo seu lugar nas políticas públicas, para além dos aparatos medicalizantes. Cuidar da Saúde Mental é cuidar da assistência e qualidade dos serviços e das relações que se estabelecem nesse cuidado.

Logo, é preciso desconstruir (pré) conceitos e categorias, redefinir as modalidades dos vínculos intersubjetivos, inventar novas possibilidades semânticas e teóricas, desfazendo os limites disciplinares para tornar novas as produções no campo da Saúde Mental. Trata-se,portanto, de um novo agenciamento de pulsações da demanda social e dos afetos, para se produzirem vínculos, diante de interesses divergentes presentes nas dimensões da micro e da macropolítica junto aos territórios onde habitam os sujeitos. Portanto, é preciso falar de Saúde Mental de janeiro a janeiro!!!