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02 de fevereiro de 2021

Saúde Mental na Terceira Idade

Autora: Alessandra de Souza Pereira Silva (CRP13/6715)

Qual seria a sua idade se você não soubesse quantos anos você tem? (Confúcio)

Quando se aborda o tema “Saúde Mental na Terceira Idade”, para alguns remete-se à uma fase de declínio, principalmente físico e cognitivo, para outros, uma fase de experiência e sabedoria. Contudo, é importante frisarmos que há dois tipos de envelhecimento humano: a senescência (processo de envelhecimento natural) e a senilidade (processo de envelhecimento patológico). O que caracteriza um ou outro é a forma como estamos nos preparando em nossa dimensão biopsicossocial e espiritual. Qual idoso(a) você quer ser quando atingir a terceira idade? Já parou para pensar nisso?
O avanço científico, principalmente voltado à saúde nos últimos anos, resultou em um aumento na expectativa de vida da população, mas não em qualidade da mesma, em especial da população idosa.
Como psicóloga clínica e atuante na escuta terapêutica voluntária desse público; muitas são as queixas relatadas sobre “solidão”, porém com uma rica história de vida, cuja maior necessidade é de escuta e como são gratos quando há alguém preparado para acolhê-los. O sentimento de “solidão” vem acompanhado do de “inutilidade”, de não pertença na sociedade, que ainda não enxerga nessas pessoas seu potencial e experiência de vida. Além disso, há casos em que os idosos se tornam mantenedores da casa, no sustento de filhos e netos, acarretando um desgaste psíquico, que pode resultar em um quadro depressivo. Em um panorama geral, mesmo com a chegada da terceira idade e suas peculiaridades, muitos idosos continuam proativos e ávidos por ainda contribuírem socialmente, sendo-lhes isso por vezes, negado.
Daí a importância de termos profissionais especializados em psicogeriatria voltados aos cuidados da saúde mental dos idosos, pois segundo o Ministério da Saúde (2020), principalmente por conta da pandemia que resultou em um distanciamento social no mundo inteiro, se espera um aumento de pessoas com sintomas e agravamento mental.
A psicologia em todas as suas áreas pode ofertar um significativo apoio à política de promoção da saúde mental das pessoas idosas, a partir da sua práxis frente ao diagnóstico, tratamento e manutenção de declínios físicos, emocionais e cognitivos, com estratégias preventivas de quadros patológicos já instalados como suicídio, depressão, isolamento social, perda da independência, estresse, sobrecarga e desestruturação familiar (RIBEIRO, 2015).
Ter um envelhecimento satisfatório requer otimizar o fortalecimento da tríade idoso-família-sociedade, uma vez que o envelhecimento é um processo universal e singular, onde precisam ser reconhecidos os direitos, segurança, bem estar e saúde da população idosa, por meio de intervenções com foco na prevenção e promoção do envelhecimento ativo.
Dentre as diversas intervenções adotadas para prevenção e promoção da saúde mental na terceira idade, temos amplas abordagens da psicologia; determinantes sociais como rede de apoio, comunidade, organizações e políticas públicas; a prática de atividade física e o uso de tecnologias (desmistificando a dificuldade ou não adesão dos idosos a essa prática), têm resultado em uma redução dos sintomas de depressão, ansiedade, aumento da satisfação com a vida, da qualidade de vida e fortalecimento positivo da saúde mental (LEANDRO-FRANÇA; MURTA, 2014).
Ações como a realizada em Karlsrhue, evidenciada em uma reportagem do diário canadiano “Vancouver Sun”, intitulada, “Inviting community inside: Nursing homes takes steps to stop social isolation of seniors”, que conta com a residência de cuidados paliativos para cidadãos seniores, a Youville Residence procura combater o isolamento dos idosos com a visita de crianças, que não viviam no mesmo local. Norteiam-nos em relação aos cuidados paliativos de idosos que vivem em ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos).
Enfim, é improtelável pensarmos no presente dos nossos idosos e no futuro como idosos. E para você, caro(a) leitor(a), eis algumas dicas essenciais para preservar a sua saúde mental:
1 Faça as pazes com seu passado e vivencie o seu presente.
2 A opinião alheia não define quem você é.
3 Duas coisas não esperam: o tempo e a vida, então coloque vida em seu tempo.
4 Seja responsável pela sua felicidade e escolhas.
5 Não compare sua vida a dos outros, você é única(o).
6 Se não tem todas as respostas, busque o caminho a seguir.
7 Se precisar de ajuda, busque-a. A psicoterapia pode te ajudar!
Conclui-se que envelhecer possui as suas complexidades, dessa forma, deixo aqui pequenos versos de minha autoria, baseados naquilo que vi, ouvi e vivi: “Oh, meu jovem, me deixe seguir os meus passos, mas não me deixe sozinho, pois também preciso de afago. Perdoe se minhas pernas falharem, se minha memória me trair ou se meus olhos e ouvidos não me ajudarem, a minha história é longa e tenho tanto para contar-lhe. Mas, se tiver um tempinho e puder me escutar; sinto saudade de um tempo que nunca há de voltar. Por isso, lhe dou um conselho, se assim me for permitido… Viva o seu presente, invista em você mesmo, ame como se não houvesse amanhã, não deixe nada para depois e cultive quem se fez presente antes, agora e depois.”

Sobre a autora: Alessandra Pereira é Especialista em Psicologia Humanista e ACP; Membro da COMCLIN do CRP13; Colaboradora voluntária do IPE/UFPB com a escuta terapêutica de idosos

REFERÊNCIAS: 
LEANDRO-FRANÇA, C.; MURTA, S. G. Prevenção e Promoção da Saúde Mental no Envelhecimento: conceitos e intervenções. Psicologia: ciência e profissão, 2014, 34 (2), 318 – 329.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Programa Mentalize. Governo do Estado, agosto de 2020. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2020/08/mentalize-programa-lanca-acao-voltada-ao-cuidado-da-saude-mental
RIBEIRO, P. C. C. A psicologia frente aos desafios do envelhecimento populacional. Revista Interinstitucional de Psicologia, 8 (2), Edição Especial, dezembro, 2015, 269 – 283.